As Aventuras de BK No Reino da Bicharada

2009-07-23 22:22

As Aventuras de BK No Reino da Bicharada

Isso já aconteceu com você. Acontece com todo mundo, na verdade, mas contigo já aconteceu mais vezes que o normal (nem sei porque estou dizendo isso mas preciso começar esse texto de algum jeito).

Mas, comigo, quando acontece, vem uma atrás da outra, pancada atrás de pancada.

Explico: semana passada, a partir da segunda-feira, a cinta comeu no meu lombo. O pirocudo do meu chefe me encomendou 5 revistas de culinária e uma de passa-tempo. Normalmente ele me pde duas, três revistas. Mas pediu logo 5 e uma de passa-tempo. Ou seja, trampo para caralho. Pois, caso não saiba, eu apenas monto as revistas. Diagramo mesmo. ou encaixando as imagens que aquelas velhas retardadas e sem amor ficam fotografando em seus estúdios cheios de lesbianismo. A minha obrigação é ir encaixando aquele monte de porcaria nos quadradinhos da folha-modelo, ajeitando o texto (quase sempre escrito por uma lésbica mais nova mas igualmente mentecapta, pois nada me tira da cabeça que mulher que perde tempo produzindo uma revista desse tipo não tem nada de bom prá fazer na vida, tipo sexo ou suicídio), arrumando as imagens (que quase sempre chegam em baixa resolução e eu tenho que ficar boquejando com as velhas no MSN prá ela mandar a merda da imagem direito), enfim, um saco.

Mas paga as contas. Fode minha cabeça, meu tempo prás coisas que quero fazer mas paga as contas. Só que desabar tanto trabalho de uma vez é o cu do caroço!

Passou. Foi um custo duzinfernos, mas passou. Bendito cigarro, sem ele não produzo essas coisas de mulher cagona.

Porém, prá completar meu tormento, surgem os rolos de família.

Senta (no meu pau) que lá vem história (anormal).

DOS MORTOS, SÓ SE DEVE FALAR MERDA

Se você não sabe, saiba já: família é uma merda. E a minha não é diferente, não.

São dois extremos de bosta. Do lado de minha mãe, tem minha irmã e meu cunhado. Ela é funcionária pública e ele também. Só que ele é pagodeiro de um grupo de velhos negrões aí, a coisa mais desoladora do mundo. Tá, sei que isso não te diz nada mas, prá mim, é o fim da feira.

Porque meu falecido pai era uma lenda. Um daqueles mulatos que, nos anos 50, era barrado no restaurante de luxo (dos brancos) no Martinelli e que entrava na moral, só disparando seu olhar furioso (e algumas exibições de um 38 niquelado). O velho era foda, menção honrosa do presidente Jânio Quadros quando do levante do presídio de Ilha Grande (minha memória tem sérios buracos nessa parte, malditas japinhas e seu sexo selvagem), amigo de todo mundo, tirava a negrada da cadeia nos anos 70 só levando um papo com os delegados, enfim, o homem era um ícone. Mas ele morreu, daí a turma lá decaiu, etc. Um dia te conto isso com detalhes. É deprimente.

Do lado de cá, tem a turma da parte do meu tio.

O velho era a segunda pessoa mais legal, doce e gentil que conheci (a primeira foi meu falecido irmão, Paulo, nunca conheci ninguém que não gostasse dele). Técnico de atletismo de um grande time aqui de SP, a salinha na casa dele (antigamente os velhos tinham suas salinhas, um espaço onde mal cabia uma escrivaninha e um micro-armário) tinha trocentas flâmulas, troféus e fotos com jogadores famosos dos anos 60. O homem era tão querido e respeitado que ganhou uma rua com seu nome, lá em Osasco. Que, por coincidência doida desse mundo fodido, fica no Jardim Roberto, segundo nome desse que vos ladra.

Só que o meu tio teve 3 filhas e um filho casca-de-ferida, prá dizer o mínimo. Só uma das filhas, que saiu do país, é que nunca mais se meteu nos rolos da família e vive excelentemente bem longe. Já quem ficou, é um enguiço duzinfernos. A começar desse meu primo, que se acha dono aqui do terreno onde moro. O cara encafifou que manda aqui, que é o tal, que é o chefe, o zelador. Mas embolsou o imposto que eu e minha prima da casa da frente (ela é filha dele) e, certa vez, saiu na porrada, bêbado, com o genro dele. Precisei ir lá apartar a briga, senão o marido da minha prima ia ter um troço. Criança berrando, cachorro latindo, o diabo. Mas o cara continua entrando e saindo aqui do terreno e, pior, alterou os dados do IPTU para que o carnê viesse em nome dele! É foda...

Percebeu? Ele não paga o imposto, não paga nada, usa a água e a luz lá da filha dele e ainda tem a pachorra de alterar o IPTU prá vir no nome dele! Parente é uma desgraça (e olha que não falei da família da minha japa, que aí desanda tudo)!

Por isso, eu fui atrás da regularização dessa bagaceira do IPTU e descolei o atestado de óbito da minha avó, a matriarca da família.

Manja aquelas histórias que sua mãe contava sobre sua avó? Pois é, imagine que de repente você descobre que era tudo cascata! Foi o que rolou comigo ao ver o atestado de óbito da lazarenta! Me diziam que ela era paulistana da gema. Mentira! Ela era baiana mesmo! Que morreu do coração... Não! Morreu mesmo de câncer na teta, falência múltipla de órgãos e hiper-tensão arterial! A véia explodiu, mano!

Outra: que ela teve uns 8 filhos. Na certidão consta apenas dois, meu tio e meu pai... E a tia véia que morava aqui na frente mas que, na certidão, é filha ilegítima! Sim, eu sei que esse termo está em desuso mas, na mitologia da família, a minha avó era uma santa, trabalhadeira, pacata e coisa e tal. Shame, shame!

Onde quero chegar?

De repente o meu primo espertinho apareceu com uma procuração, escrita por dois advogados que desconheço, querendo que eu os nomeasse meus procuradores prá cuidar do inventário aqui do terreno!

Pensa bem. Você assinaria uma procuração de dois advogados desconhecidos, delegando-os plenos poderes prá agir e falar em seu nome? Pois é, NEM EU! Mas ele queria que eu assinasse.

Só que nosso mano advogado disse, claro e esperto como sempre, prá eu mandar o cara andar e que, quando rolasse a parada em juízo, eu entraria com advogado próprio. Eu disse isso pro meu primo ainda hoje e, surpresa! Ele não esperneou! Concordou e saiu fora, mansinho! Tô impressionado até agora!

É que eu estou aqui nesta casa há uns 20 anos e ele sabe que tenho direito a pleitear a posse da casa. Daí, com certeza, ele não quer me peitar, senão eu engrosso. Mas ele azucrina a filha dele, da casa aqui em frente... Apesar dela estar aqui há 5 anos, sendo que ele mesmo a colocou aqui! Tem mais treta, mas ficarei por aqui.

Agora, falemos de meus celulares.

SATANÁS USA CELULAR

Semana passada, dia 3, fui pegar um celular na Claro. Prá patroa. Ela merece! Pegou um Sony-Ericsson W302 lindinho, com MP3 delicioso. Invejoso que sou, no dia seguinte fui lá pegar um prá mim.

Começou o drama.

Por duas vezes, a Claro me ligou prá confirmar os dados cadastrais. O que, por si só, é um absurdo, porque deixei com eles cópias de meus documentos + cópia da conta de luz. Confirmei e os dois celulares foram habilitados. Fiquei SETENTA E DUAS HORAS, três dias, sem fazer ligações.

Ontem os celulares funcionaram, habilitados. Legal! Life goes on.

Só que hoje, na rua, precisei ligar prá patroa numa pequena emergência (eu ia me atrasar prá buscar minha filha na escola), e o cacete do meu aparelho estava bloqueado. Só recebia ligações. Nem preciso dizer que fiquei putaço da vida, apesar de estar rindo prá dedéu com o atestado de óbito da minha avó, por motivos acima descritos.

Cheguei em casa, liguei prá Claro, comi barbante na espera um tempão, até que a atendende robozinho disse que "estivemos monitorando seu telefone. O senhor fez muitas ligações durante este período e a Claro bloqueia o telefone de quem ultrapassa esse período."

O QUE???

Mano!

Eu fiquei com o aparelho por cinco dias, sendo que em três deles o danado estava bloqueado. Pelo contador do aparelho consta lá 4 minutos de ligações efetuadas! Como é que em tão pouco tempo eu pude explodir as ligações?

A Claro disse que "não tem jeito" e que para reabilitar o aparelho eu deveria pagar antecipadamente a franquia do telefone, com um boleto de 45 reais... Ou que eu deveria esperar até o final do mês (cerca de 24 dias, que número cabalístico!) para ter o aparelho desbloqueado.

Estranhamente, não protestei. Cansado do desaforo, mandei que a atendente cancelasse meu número. Assim, bem gelado.

Ela me passou pro "setor responsável" (os números do protocolo de atendimento nunca me foram encaminhados ou citados) onde, depois de trocentos minutos de espera, uma nova atendente concordou com o cancelamento...

Mas eu teria que pagar uma multa de 400 reais por quebra de contrato!

Tudo, tudo, tudo prá botar no meu cu. O telefone mal funcionou, mal o usei, demoraram horrores prá desbloquear, desbloqueram por um dia, bloquearam de novo, queriam que eu pagasse por um serviço que não usei... E que se eu quisesse sair da merda, tinha multa prá pagar!

Havia alguma coisa no ar. Eu senti, com meu sentido de aranha, que os últimos dias estavam (e estão) estranhos. Essa da Claro me cobrar por um serviço que não foi entregue, mentindo ao dizer que extrapolei um tempo que não usei e querendo que eu ainda pagasse multa... Foi a conclusão definitiva de que esses dias estão muito estranhos.

Só que nada me abala. Prossigo, reto e célere, na certeza de estar do lado do bem.

Ah, sim.

Pouco antes de encerrar a ligação, confirmando o cancelamento da linha, a atendente (estúpida por sinal) disse que "ah, sim, realmente, consta um bloqueio por divergência de dados cadastrais!"

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