Cousas e Lousas

2009-07-23 22:20

Eu não sou um cara de posses. Na verdade pouco, ou quase nada, nadica de nada, possuo mesmo. E o que quase nada tenho, pertence aos outros. Especificamente 3 filha(o)s, esposa, chefe e a eventualidade de algum amigo que requer meus auspiciosos conselhos... Ou que só quer jogar conversa fora.

Por isso, por não ter posses, tudo me vem com extrema dificuldade, através do suor, do cansaço e da encheção do meu já bastante combalido saco.

Ao mesmo tempo, por ter que "suar a camisa" (nem sempre a minha, sejamos sinceros), as vezes a gente tem que negligenciar as coisas que gostamos, que queremos e que achamos verdadeiramente importantes. Mais importantes até que as coisas "de verdade" mas hei! Há limites!

Por essas e por outras, as coisas aqui no Japan Fury andaram meio que largadas. Mas tamos aí.

A (des)Morte de Michael Jackson

Sejamos francos: o cara tinha uma música de merda. Ruim, mas não no sentido técnico da brincadeira, mas no sentido criativo, emocional, tudo, enfim, que faz a diferença entre uam boa música e uma música de porcaria. E Michael Jackson era isso, com a desgraça começando quando saiu o disco Bad. Aquilo só não era mais ruim, fajuto e artificial por falta de espaço.

Mas antes de se tornar branco, M.J. era excepcional. Porém, na cabeça oca daquele xarope, o cara optou por dar vazão às suas demências, loucuras e despirocadas, regadas à grana, delírio dos fãs imbecis e alimentado pela mídia sensacionalista (ou seja, toda ela) que adora um barraco. E, não posso negar, M.J. era uma fonte de escândalos, baixarias e toda sorte de putaria que tanto faz a festa desses seres abissais, esses fracassados contumazes, que precisam ver um milionário famoso chafurdar na merda... Enquanto suas filhas dançam, cantam e consomem suas músicas.

Com a morte do camarada por excesso de produtos químicos lascados, daqueles que controlam a dor a até embranquecem a pele, abram-se as comportas do lodaçal. Teremos um show sobre outro show, um circo sobre os restos de um outro circo já bem mais mambembe e que queria porque queria voltar a brilhar, após algumas carícias na genitalia de certos rapazonas prostituidos por pais idem.

A bem da verdade, a morte do M.J. não me abalou tanto quanto abalou a morte de outro músico consagrado, John Lennon. M.J. já estava morto para mim depois que ele rompeu a parceria com Quincy Jones e foi se virar sozinho. Muitas de suas músicas são clássicos inegáveis da diversão humana mas, francamente, ele era apenas um maluco cujas "excentricidades" eram perdoadas exatamente por ser um ídolo pop, milionário e atração dos abutres da imprensa.

Se fosse, sei lá, um Tiririca que dependurasse o filho (?) pela janela, o mundo viria abaixo, com a inequívoca degola, seguida do enforcamento e esquartejamento do dito cujo. Mas não, M.J. era atração, era parte necessária e inseparável da mídia, uma coisa que começou preto e que morreu quase que uma mulher branca.

Chega um certo momento em que a gente não sabe mais o que é a figura do M.J. e sua empresa, sua indústria, seu esquemão. Não havia lá um cara, havia um conglomerado de marketing que tragou, engoliu, digeriu e que estava para ruminar, mais uma vez, o bolo fecal de um camarada que não era mais gente. Não era mais humano, nem nada. Era uma marca, um símbolo, um verdadeiro zumbi.

Tanto faz como tanto fez se M.J. morreu, viveu, existiu ou não. Já não havia mais um ser humano ali.

Havia apenas um monstro da mídia que, comprova-se, tanto faz como tanto fez se ele vive ou morre. Pois sempre haverá o show.

As Moscas no Cadáver Insepulto

Mas nem bem morreu M.J. e já começaram a aparecer as "homenagens" ao falecido.

Quero crer que a mais desagradável, de mal gosto e absurdamente oportunista foi a de Maurício de Souza. Que, no Twitter (esse canal direto da bobagem e da servidão ao lixo), afirmou que faria uma HQ dedicada ao dito cujo.

Maurício de Souza entreteu crianças por dezenas de anos, ao longo de bilhões de páginas de quadrinhos. Sua passagem pela mídia infantil é indelével, de tal maneira que muitas escolas por aí tem os desenhos de seus personagens estampados nas paredes das escolas, em capas de caderno, em trabalhos escolares. Enfim, o homem conseguiu emplacar suas logomarcas (leia-se "personagens") em tudo quanto é canto.

Só que não basta pro Maurício estar perpetuado. É preciso estar constantemente repisando sua personna, seu Eu projeto na mídia.

Pois, tanto ele quanto M.J. já não são mais coisa alguma. São sombras, ecos de pessoas: M.J. era uma empresa cujo C.E.O. curtia molestar crianças. Já Maurício de Souza tem, como mote, pegar a onda do momento e jogar lá no meio sua "figura", estilizada na forma de um "cartunista"... Mesmo que ele não desenhe quase nada, quem desenha e escreve tudo é sua equipe.

M.J., apesar de todos os seus erros, era autêntico. Era uma empresa comandada por um pirado e que curtia criancinhas... Para depois pagar 20 milhões de dólares em acordos. Já Mauricio de Souza guia seus negócios sempre se emparelhando com algum famoso ou algum tema de sucesso.

Ele fez o Pelezinho se baseando, claro, no seu homônio. Fez os Ronaldos idem. Fez versões da Turma da Mônica como super-heróis, filmes de sucesso e, mais recentemente, na versão mangá que não tem nada de mangá).

E basta lembrar que, nas sombras de um acerto estranho, desonesto e anti-ético, Maurício foi escolhido para desenhar o "mascote" da Imigração Japonesa, passando a perna em dezenas (senão centenas) de artistas que participaram do concurso de seleção do tal mascote.

Como não poderia deixar de ser, Maurício de Souza "homenageia" M.J. com uma HQ.

Aí a gente pensa: o maior artista de HQ infantil do Brasil, que até recentemente estava na Alemanha a passeio, com certeza tem objetivos muito mais lucrativos do que se imagina... E é direito dele fazer o que quiser com seus empregados e "auxiliares.

Mas e como fica a ética? Parece que virou fábula que foi morar lá na distante Vila Limoeira...

É a força da grana que destrói coisas belas, como diria Caetano.

Correndo Por Fora...

Eu tive o desprazer de começar a ler um certo livro. Este livro é de um cara que conheço e que faz parte do selo da editora onde estou tentanto vender minhas coisas. Não vou citar o nome do cara e nem de seu livro por dois motivos: não vou usar de meu espaço para fazer propaganda do camarada e não quero que minha crítica se torne uma propaganda positiva. Porque tem dessas, né?A gente critica e depois falam que por termos inveja, o livro deve ser bom! Então, é melhor me calar.

Mas sei que o cara vai me ler, o editor também vai me ler e você, claro, se me acompanhou ate é aqui, vai até adiante, certo?

Então vamos ao que interessa: esse livro em questão é uma merda.

Merda.

Eu vejo primeiro pelo ponto de vista do editor, que eu conheço pessoalmente e de vários papos.

Esse editor é um cretino.

Porque eu até que entendo que uma editora precise vender livros prá faturar. Tá no direito dele, tem que faturar mesmo. Só que o discurso que ele tem prá mim, de querer mudar, de fazer as coisas diferentes e tal, vão pro chão quando ele lança semelhante merda.

A história é uma desgraça: luta de seres místicos se baseando numa mitologia baseada numa religião ocidental. Pronto! Isso é o máximo que você merece saber. Ou seja, o editor está seguindo aquela sapientíssima lição de que "o que está vendendo é isto, então eu lanço isto+1", sacou? Okay, tá valendo, mas pombas! Esse livro não apenas é mal escrito mas é mal desenvolvido, mal concebido, é uma tragédia mesmo.

Eu tentei ler e não consegui. Não porque o tema me é enfadonho mas porque, ao longo da leitura, eu fiquei pensando no que caralho se passa na cabeça do sujeito prá bancar um catatau de centenas de páginas prá contar uma saga majambrada, desconjuntada e que se baseia apenas num conceito comercial besta de que "a onda agora é livro de anjos, então vou lançar livro de anjos!"

Mas não tem como lançar livro de anjos que seja escrito pelo diabo mongoloide, pô!

Faz sentido, sabia? Porque a editora em questão é daquelas que lançam qualquer coisa a qualquer nota, desde que possua algum "apelo" junto a sei lá que grupo de leitores. Por isso ele lança livrinhos de poesia horrendos, livrinhos de auto-ajuda estúpidos e, claro, livros de vampiros prá competir com André Vianco e seus vampiros estilosos e morbosos.

Já o autor, eu só te digo uma coisa: no site dele, logo na abertura, tinha lá uma frase em destaque... Que ele pegou de um desenho animado!

Dessa forma, fica fpacil entender o que leva um editor a publicar um lixo comercial de tão péssima qualidade escrito por um desmiolado ofegante, deixando de lado minha pequena e singela obra, muitíssimo mais embasada, mais autêntica e que me fez humilhar-me tanto para tentar viabila-la.

Acho que não vale a pena se esforçar prá convencer esses caras, não... Por essas e por outras que eu vejo a produção alternativa como sendo a única maneira de viabilizarmos nossas coisas. Porque ir no caminho dessa gente é, fatalmente, se foder. O que complica é que o sistema alternativo está entulhado de lixo!

Ô, dureza!

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© 2009 José Roberto Pereira.

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