Nossos Livros!

2009-06-11 16:57

 

Desde o dia em que encontrei, debaixo de uma mesa de faqueiros muito antiga na casa de meus pais, uma máquina de escrever Royal preta (do mesmo modelo aí da foto de cima), eu mais do que me apaixonei pela escrita: ela se tornou parte de mim, da mesma maneira que respiro, como, bebo ou faço amor (com quem se habilite a tanto).

Eu passei brevemente pelo desenho mas não me adaptei bem (pretendo voltar, apesar da mão pesada e da completa falta de talento e paciência), daí continuei a escrever... Quase sempre sem publicar o que eu realmente queria.

Editei dezenas, talvez centenas de revistas quadrinhos e livretos, graças a esse (mais que) amor pela escrita. As vezes eu colocava, aqui e ali, alguma pequena idéia nas coisas dos outros... Mas nada que fosse realmente completo, que levasse, de mim ao leitor, alguma coisa bacana, divertida, qual um presente de mim para o "mundo". Eram brincadeirinhas, testes, verdadeiros flertes mas nada que fosse a sério.

Ao cabo desses, sei lá, 20 e tantos anos, eu mantive em meus arquivos meia tonelada e meia de idéias, algumas das quais que sobreviveram ao Grande Incendio Vaidoso de 1980 (quando tive uma crise de viado e queimei meus textos mais clássicos. É, eu já fui idiota)... E outras até que mereciam ter sido queimadas mesmo.

Assim sendo, prá mostrar que sou um adulto sério e saudável (hah!), vou colocar aqui algumas dessas idéias que se transformaram em livros, e que julgo serem bastante legais.

Nelas vou trabalhar nos próximos meses (depois eu falo dos livros de minha patroa) e serão publicadas pelo selo da ZéRoberto Press, com apoio do nosso mecenas, Fernando Aoki:

Série Mundos Sem Sol

Eu lancei as bases de meu universo ficcional com meu livro Mundos Sem Sol. Mas ele não era o começo de tudo, não. Antes dele, antes de todas as minhas idéias que você verá a seguir, havia um personagem que era meu alter-ego adolescente e que carregava toda minha raiva e inconformismo da época:

Lucas: Cibernético - posso dizer com segurança que o Lucas é minha versão do Blade Runner, mas ao ler os textos originais (sim, eu tenho eles aqui), percebo que a história é bem bacana mas sem direção, sem objetivo. Era uma coletânia de idéias bacanas mas sem um fim, sem um contexto mesmo. Ou seja, não passa de uma analogia de adolescente revoltado e que transpôs para o texto suas fantasias.

Eu pensei em jogar fora esse personagem mas gosto dele. Porque debaixo disso tudo, de toda essa mágoa de moleque, há uma sucessão de eventos simpáticos e divertidos.

O Lucas é o seguinte: ele não tem passado. Só vive um presente miserável, cheio de miséria, fome, violência e um Estado repressor horrível e medonho. Lucas vai pela cidade, após sair de um grande complexo de prédios, em busca de uma saída daquele mundo miserável. Pois está para acontecer o primeiro salto quântico numa nave protótipo da NASA, que vai levar um pequeno grupo de "astro-jumpers" (legal esse termo, né?) para o primeiro planeta conhecido capaz de receber os humano. E é lógico que ele quer ir nessa viagem.

No meio do caminho, Lucas encontra personagens estranhos, bizarros e fantásticos que podem lhe ajudar, ou atrapalhar, em sua missão de vida.

Muito mais violento, pirado e sem sentido que Mundos Sem Sol, o livro do Lucas é minha chance de criticar, ainda que metaforicamente, essa sociedade sórdida em que vivemos.

Pois o Kamiyama estava no Japão, o Lucas estará no Brasil! Então, sai de baixo!

  

Série Mundos Obscuros

 

O Pedro, se você não sabe, é o personagem principal do grupo Elementais. E, portanto, é com ele que começo a série Mundos Obscuros.

Criado em 1979, o Pedro é um rapaz que vive em um Brasil imaginário: um Brasil as vezes bucólico, as vezes estranho mas essencialmente habitado por toda uma vasta coleção de super-seres de tudo quanto é tipo.

Ele estuda na Escola Municipal 10 de Março onde encontra-se com três meninas: Morganna Aimë, uma elfa que abandonou sua carreira de torturadora e executora de super-seres para reencontrar seu único amor de infância. Ou seja, ele.

Kali-Khan, uma japonesinha com poderes de metamorfose e reencarnação de uma antiga deusa oriental, nascida na China e que deixou o Japão para fugir das constantes invasões de monstros. Kali-Khan já tem um livro bastante adiantado.

E Princesa, adotada como irmã de Pedro mas que na verdade é uma fada assassinada em seu mundo distante por seu (dela) irmão ganancioso. Também tem um livro praticamente finalizado.

Ou seja, cada uma das meninas do Pedro terá seu livro próprio.

Elementais é a minha humilde versão do universo dos RPGs, animes e filmes de fantasia, tudo ambientado no Brasil e, por isso, originando um texto repleto de humor, romantismo e situações estranhas.

Lemac - O Lemac é um personagem derivativo dos Elementais: apaixonado por Princesa, após receber um dom místico muito doido, ele acaba sendo arremessado ao feudo onde crescera. Só que o feudo abriu falência econômica e tudo foi destruído pela pilhagem dos muitos credores. A função do Lemac é ir buscar a si mesmo nessa história. Eu vou acabar fazendo esse livro mais por pressão da patroa, ela gosta muito desse personagem!

Série Mundos de Luz

Começando esta série, surge meu querido Mil Nomes.

Ele foi criado a partir de uma série de influêcias: Marino Boy, o desenho animado Phantasmagoria, ainda contando com influências Espíritas, Junguianas e uma boa dose de mim mesmo (como cabe a uma boa obra, se a gente não se doar ao leitor, não haverá sinceridade e não havendo sinceridade, não há empatia verdadeira).

Neste primeiro livro, já devidamente finalizado e em fase de produção, eu conto as descobertas de Hector, um menino que sofre um acidente violentíssimo, durante a queda de um jato de passageiros em sua rua. Ele é levado a um universo fantástico e metafísico em que vê as mentes das pessoas como se fossem planetas. Mas isso não é tudo.

Mil Nomes é amparado por Prahna, sua contra-parte feminina; ela é filha de L'os, o supremo manutentor da Humanidade e representa a Vida em seu processo criador e benevolente.

Ele ainda conta com a ajuda (?) de Ka Lan, uma chinesinha muito simpática e irmã de Prahna. Ka Lan representa a Morte e não tem quase nada de criadora, quanto mais de benevolente.

Outros personagens se juntam à trama mas não posso falar neles por enquanto. Mas vai por mim, tá foda.

Mil Nomes é, com certeza, meu trabalho mais ambicioso e mais complexo. Eu adoro todos os outros, me divirto muito trabalhando com eles mas o Mil Nomes é especial. Ele tomou-me uma considerável quantia de tempo e fosfato, bem como muitas anotações, das e vindas no texto (que os gringos chamam de "snow steps"). É uma aventura de um super-herói incomum que mistura sonhos, pesadelos, amor, ódio e reviravoltas "filosóficas" que muito me agradaram... E com certeza vai agradar você também.

Livros Diversos

A produção da ZéRoberto Press não para! Estes são os livros que faremos apos, ou durante, a finalização (ou não) dos livros aí de cima.

Sinta o drama!

Boris e Valdete: Estranhos Vampiros - um casal de vampiros nordestinos homossexuais acorda, digo, sai de sua reclusão "meditativa" (eles estavam de castigo mesmo) e encontram um mundo bastante mudado. Para detê-los, não sei prá que, o Departamento de Busca e Apreensão de Aberrações e Atrocidades do Vaticano chama seu Van Helsing de plantão mas... ele está preso por estupro de coroinhas. Daí precisam contratar 3 "voluntários" que faziam parte da lista de financiamento dos caras: um pastor evangélico demente, um Espírita homossexual e um pai-de-santo estelionatário. Será que esse grupo dará conta dos vampiros? E os vampiros? Vão aceitar a parada na boa e na moral? Sei lá, pô! Nem escrevi o livro ainda...!

A Garota Que Acordou Morta (Dead Teen, título alternativo, vai que algum gringo se interessa, né?) - Ritinha é uma bonita, sexy, metida, preguiçosa, superficial, funkeira e mimada pirralha de 16 anos. Ela mora com os pais cansados em um grande condomínio de prédios de classe média-baixa. Basicamente, Ritinha não faz nada de útil de sua existência. Largou os estudos, dorme o dia todo e, de noite, durante a semana, passeia pela Internet e conversa com os "amigos" via MSN. Nos finais de semana fica pelo condomínio com outros amigos inúteis, conversando e dançando das sete da noite às quatro da manhã. Ela tem uma amiga, chamada Lola, uma carioca que mora também num condomínio mas sofre de síndrome do pânica, só conhecendo o mundo pelos torpedos do celular.

Então Ritinha, um dia, ao levantar, descobre que estava... morta. E agora? O que será dela? Existe maquiagem para defuntos?

É isso, turminha! Outros textos irão surgir e espero que você esteja por aqui para me acompanhar! Vai ser legal!

 

 

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